Palmada não é dar educação

Ficamos chocados com notícias de pais que agrediram fisicamente e emocionalmente as crianças. Mas, existe um limite para essa agressão ser considerada educativa? Será que a palmada educa a criança?

Recriminamos castigos físicos, agressão e humilhação com adultos. Mas, por que toleramos que seja feito com crianças indefesas? Por que toleramos que haja um limite aceitável de agressão física para crianças indefesas?

É fácil chamar o pai e a mãe do noticiário de bruxa e psicopata. Mas, e quando somos nós que praticamos uma palmadinha? É aceitável, por que estamos educando?

Nós pais e mães acabamos justificando a palmada como tantos agressores o fazem: a culpa é da vítima. A culpa é da criança que não parava de importunar, que não parava sentada, que não parava de chorar, que fez birra.

“A violência não é um sinal de força, é um sinal de desespero e fraqueza”. Dalai Lama

Disciplinar não é bater

Não bater, não significa não disciplinar. Há outros meios de disciplinar a criança sem agressão. Mas, nós fomos educados assim e ecoa no nosso interior esse modelo de educação.  Pais que justificam a palmada usam de  frases: “apanhei e sobrevivi”, “isso me educou”, “se não tivesse apanhado seria um bandido” e então continuamos a repetir essa forma de educar, achando que estamos fazendo o melhor.

É um pensamento muito forte em nossa cultura a palmada para disciplinar. Pais que escolhem não fazer a agressão física, são muitas vezes chamados de “pais bananas”, por não serem rígidos.

Mas, a palmada nada tem a ver com disciplina. A palmada tem relação com a fraqueza do adulto em resolver determinado conflito, tem relação com a falta de instrumentos dos pais em disciplinar.

A palmada só surte efeito na hora, faz com que a ação da criança que nos incomoda tenha fim. Mas, e a longo prazo? O que estamos ensinando a essa criança? A palmada não resolve problemas que levaram a criança ter determinado comportamento indesejado. A criança não entenderá a lição, ela apenas não repetirá (ou não) por medo do agressor. Qual a função da palmada para a educação/formação dessa criança que apanhou?

A agressão promove o distanciamento da criança, insegurança, medo e baixa auto-estima. A criança aprende que apanhar ou bater é algo normal para resolver conflitos, que os problemas se resolvem pela força, de quem esperamos amor também pode vir agressão.

Para você que diz que apanhou e sobreviveu, que diz ser uma pessoa melhor devido a palmadas. Já parou pra pensar como você seria se não precisasse sobreviver a sua família? Se não precisasse sobreviver a agressões? Como você seria se não tivesse experimentado violência? A criança que hoje apanha é quem irá agredir no futuro.

É necessário uma reflexão sobre qual a mensagem que estamos enviando aos nossos filhos. Você quer que eles sejam tolerantes, seja tolerante. Você quer que eles consigam resolver conflitos conversando, converse com eles. Você quer que sua filha não aceite agressão física, não ensine por meio da violência.

  • Tem post aqui no blog sobre qual perfil de pai e mãe somos. Veja aqui

O que consideramos mau comportamento nas crianças, é a expressão da falta de habilidades, conhecimento e necessidade não atendida. Uma criança quando faz birra está tentando com os poucos instrumentos que possui expressar sua insatisfação ou dizer que  sua necessidade de carinho e atenção não foi suprida.  

Pais conectados com os filhos

Ao olharmos uma criança pequena precisamos respeitar seu comportamento de criança. Ao exigirmos que uma criança pequena se comporte como um adulto, geramos frustração de ambas as partes.

Crianças pequenas muitas vezes tem mau comportamento porque estão com fome, com sono ou ainda precisando de atenção. Possuem poucas formas de se expressar e acabam agindo com choro e birra. Nós adultos olhamos para a criança como alguém que quer nos “tirar do sério”, como uma provocação e respondemos com a agressão física.

  • Leia  sobre criação com apego, aqui

Se entendermos o porquê do mau comportamento da criança, podemos agir de forma consciente e ensinar de fato uma lição. Podemos agir ensinando ferramentas para a criança melhorar sua forma de se expressar e se autocontrolar. Vamos dar atenção às crianças quando tiverem o comportamento desejado e não só quando fazem algo de errado.

A disciplina positiva nos traz ferramentas de como disciplinar e educar sem precisar de agressão física. Dicas extraídas do livro: Disciplina positiva da Jane Nelsen

Se você estiver nervoso com a situação, respire. Se acalme e depois intervenha.

Não fique dando “sermão”, haja ensinando a criança como deve fazer ou como deseja que seja feito.

Crie uma situação colaborativa com a criança.

Envolva a criança em busca de solução.

Ofereça escolhas limitadas.

Admita que não poder forçar crianças a fazer nada, peça a ajuda para delas para achar uma solução.

Demonstre que você se importa.

Valide os sentimentos feridos da criança.

Use honestidade emocional para falar sobre sentimentos.

Demonstre a criança o passo a passo de como deve fazer algo.

Verbalize amor e carinho.

Vamos aceitar as crianças como crianças, vamos praticar um olhar amoroso e uma disciplina que forme pessoas melhores para o futuro, papais?

Um beijo do pessoal aqui de casa,

Natalie

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