Gravidez não planejada. E agora?

Relato da Juliana Oyarzabal, mãe da Beatriz.

Percebi que tinha algo estranho com meu corpo, houveram muitas mudanças em um curto prazo de tempo, eu sabia que algo não estava normal. Com isso fiz direto o exame de sangue e recebi o tão louco “positivo”. Eu vi aquele exame cheio de números e não me conformava, eu queria dividir, diminuir, inventar um cálculo louco que justificasse aquele super número  do hormônio Beta HCG que gritava na minha cara: você está grávida.

Pensei que naquele momento eu não iria nunca mais fazer as coisas que eu tanto amava! Como trabalhar na minha área, viajar, sair com minhas amigas, conseguir ficar com meu marido e tantas outras coisas que normalmente fazemos no nosso dia a dia,  como eu faria até coisas simples, como comer, dormir e ver um filme?!

Pensei “ok, eu agora sou mãe!” Então terei que mudar, ser mais correta, ter mais responsabilidades, trabalhar mais para sustentar uma criança. Passou milhões de sentimentos e medos,  eu sentia muito medo do que estava por vir!

Afinal, eu nunca tinha nem trocado uma fralda de criança, imagina de um bebê recém nascido. Eu sempre evitava crianças e não tinha o menor jeito.

Eu não gostei de estar grávida, não sentia aquelas coisas que todas falavam, que a mulher fica mais bonita, que ela acha que o mundo pertence a ela, todo aquele momento que normalmente as mães falam e passam, ou pelo menos é o que as mães perfeitas querem que sejamos.

No meu caso eu não gostei deste momento, eu me senti cansada, com um peso o qual normalmente eu não tinha, com uma dedicação e responsabilidade para cuidar da minha saúde a qual antes eu não tinha, uma fome que me deixava descontrolada (puro sistema nervoso). Inclusive eu tenho pouquíssimas fotos grávida e com a barriga de fora. Quase nenhuma foto.

Eu não rejeitava minha barriga nem a gravidez, eu apenas não conseguia ver a magia que todos falavam e queriam que eu sentisse. Não conseguia ouvir anjos cantando o tempo todo, nem uma luz em volta de mim. Hoje entendo que é completamente normal e não era só porque não era uma gravidez não planejada.

Há uma ideia de que quando estamos grávidas tudo é maravilhoso, perfeito, divino. É como se a mulher grávida virasse santa  e se exige esse comportamento de pureza, santidade e plenitude. E na verdade, não é assim.

A segurança e a força que eu recebi

Em nenhum momento eu pensei em abortar, pois eu tinha o apoio de muitas pessoas a minha volta. E isso fez eu me sentir fortalecida, me senti segura e pensei não estou sozinha nesta nova etapa

Foi muito difícil o processo de aceitação de mudança de vida, lidei com a maturidade que poderia ter no momento, foi um período de altos e baixos. Meus pensamentos eram: tudo vai dar certo! Chorei muitas vezes, mas focava na vida que estava gerando e o quanto essa criança precisaria do meu amor.

Meu corpo estava mudando, mas eu estava feliz em saber que o bebê estava bem, se desenvolvendo, crescendo.  Eu entendi que nossos destinos estavam para sempre de uma maneira entrelaçados. Eu amava ela ainda no meu ventre, só não gostava da gravidez. E demorou um tempo para eu entender que o fato de não gostar da gravidez não significava não amar minha filha.

A relação a dois com uma gravidez não planejada

Eu tive o melhor marido e pai durante a minha gravidez, ele cuidava de tudo, de mim, dele, de nós. Nunca na minha vida eu imaginei que ele seria tão maravilhoso como foi durante estes meses e, acreditem, ele não queria ser pai de maneira alguma.

Depois que o bebê nasceu, algumas coisas mudaram . Tivemos nossos altos e baixos durante esse tempo, posso dizer que brigamos em dois anos, mais do que os cinco anos em que estávamos juntos. Mas não foi culpa da nossa filha, foi a nossa falta de tato com as mudanças. Porém entendemos que nossa vida é maravilhosa, pois temos uma filha tão perfeita que até nossas brigas se tornam pequenas perto daquele sorriso lindo.

Cada dia que passa vamos aprendendo mais, vamos tentando melhorar e cuidar desta família que tivemos a oportunidade de ter. Mas, sempre temos que ter a certeza que devemos ter um casamento saudável, pois ele reflete diretamente no crescimento do nosso filho.

Aceitação da gravidez                  

Eu aceitei a gravidez no momento que eu peguei minha filha no colo, quando fomos para nossa casa e eu me conectei com ela. Quando eu olhava dentro dos olhos dela e eu me enxergava. Quando aquela maõzinha pequena ficava me procurando, quando o choro dela tinha fim quando eu aconchegava no colo. Meu amor era imenso por aquele bebê.

Quando a primeira febre que ela teve eu consegui cuidar, eu consegui fazer baixar e cuidar dela. Quando eu entendi que ela tinha vindo para somar.

Eu sempre digo que a vida foi muito justa comigo, quando ela me enviou a criança que eu deveria ter, quando eu percebi que ela era exatamente do jeito que me completava.

Meu sentimento nasceu quando eu escutei aquele choro e pensei, “agora somos nós neste mundo, vem que eu te levo até você conseguir caminhar sozinha

Me encontrando após a gravidez

Foi um trabalho diário para me reencontrar como mulher depois da gestação

Foi um momento que eu entendi a minha necessidade, eu precisava estar novamente no meu centro. Eu vi que para isso voltar a ser como era antes dependia muito de mim e das pessoas que estavam a minha volta tentando me ajudar.

Eu voltei a trabalhar, mas tive que trocar de empresa, pois minha rotina era muito pesada para cuidar de um bebê, trabalhar fora, cuidar do meu casamento e dar palpites dentro de casa (pois meu marido cuida desta parte, rs). Eu a deixava desde pequena na casa da minha mãe, eu deixei de amamentar com 4 meses.

Eu entendi que precisava deste espaço, precisava destas noites, mesmo que fossem uma vez ao mês, eu queria isso. Eu viajei sozinha com meu marido quando ela tinha dez meses, foram oito dias longe, foi ótimo para nós três. Sem sofrimento, só amor poderia guiar este momento e me apeguei a ele. Hoje em dia ela está com dois anos e cinco meses, ela dorme umas três vezes no mês na casa da minha mãe, sempre que eu preciso fazer alguma coisa consigo deixar ela com alguém que cuida tão bem quanto eu e a ama incondicionalmente. Isso fez com que eu voltasse a ser a mulher que eu era.

Eu prezo muito a liberdade, sou uma pessoa livre no mundo e minhas necessidades são tão importantes quanto às da minha filha. Mulher feliz e mãe completa, meu lema é sempre este.

Eu preciso estar feliz para as coisas fluírem, eu preciso ter meu espaço, eu preciso viver. E muitas vezes este viver não significa ter a minha filha embaixo do meu braço e isso não é falto de amor. É amor demais.

A diferença entre gravidez não planejada e planejada

São sentimentos e aceitações diferentes.

A planejada tem aquele encantamento, tem momentos de sonhos e esperas, a não planejada ela acontece e temos que passar por este momento depois. Acredito que a ordem é diferente.                  

Se pudesse falar diretamente com as mães que acabaram de descobrir uma gestação não planejada, eu diria que não se culpe, não tente entender o por que você e o por que agora.

Todas as incertezas, os medos, temores. Tudo isso vai passar.

O futuro guarda coisas maravilhosas à vocês, deixe as pessoas te amarem, se permita sentir tudo que a gravidez tem para você. E aceite! Respeite seu tempo e seus momentos.

O mundo fica mais colorido com uma criança.

Toda essa mudança vai terminar na palavra amor.

Esse foi o textinho que chegou lá da casa da Ju.

É importante desromantizar a gravidez, e trazer à superfície os conflitos que passamos quando nos tornamos mães.

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Um beijo do pessoal aqui de casa,

Comments

  1. Josiane says:

    uau ! !
    a gente se identifica muito com sua história …
    fico feliz em saber que você conseguiu perceber a magnitude dessa dedicação que é ser mãe … e não deixou de ser mulher …
    desejo que o amor continue a ser o ingrediente do seu lar ! !
    abraços
    Josi

    1. Sim!!! historia de amor.

  2. Keila says:

    Que lindo relato! Tive a oportunidade de participar desse início, um pouco turbulento, e ver a mãe que a Ju se tornou é algo muito maravilhoso! Parabéns pelo compartilhamento! É de enorme valia para muitas mulheres!

    1. Sim, emocionante ver como se transformou em amor toda a turbulência.

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