Como lidar com choro e birra?

Choro e birra é algo que todas nós mães em algum momento teremos que enfrentar. Mas, qual a melhor forma de lidar ? O que está por trás desse comportamento da criança? Qual a atitude pode ajudar nossos filhos neste momento?

Para responder essas perguntas, contamos com a ajuda da nossa parceira a Mariana Abuhamad mestre em psicologia pela UFPR que produziu um texto especial para o Blog.

Em primeiro lugar, é importante compreendermos que já nos primeiros anos de vida a criança começa a apresentar capacidade de entender e regular suas próprias expressões emocionais. Parte desse processo é o desenvolvimento do controle dos impulsos, denominado pelos neuropsicólogos de controle inibitório – por exemplo, a capacidade de esperar em vez de chorar, de gritar em vez de bater, de ir devagar em vez de correr.

Quando um bebê está perturbado, são os pais que ajudam a regular aquela emoção abraçando, acalmando ou removendo a criança da situação perturbadora. Durante o período pré-escolar, esse processo de regulação é cada vez mais assumido pela criança à medida que as várias proibições e instruções são internalizadas pela criança.

Uma criança de 2 anos é minimamente capaz de modular sentimentos ou comportamentos; aos 5 ou 6 anos, entretanto, a maioria das crianças fez grande progresso no controle da intensidade de expressão de sentimentos fortes, ela não batem automaticamente em alguém quando ficam frustradas ou choram descontroladamente quando contrariadas.

Um segundo aspecto da regulação emocional da criança, é a necessidade de aprender as regras sociais de expressões emocionais específicas. Por exemplo, aos 3 anos, as crianças começam a aprender que há vezes em que elas precisam sorrir, mesmo quando não se sentem felizes. Portanto, elas começam a usar o sorriso social.

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Da mesma forma, as crianças começam, gradualmente, a usar formas abreviadas ou contraídas das emoções, como a raiva ou a aversão, e aprendem a ocultar seus sentimentos em uma variedade de situações. Por exemplo, ocultar descontentamento para não ofender outra pessoa. Igualmente, a criança pré-escolar aprende a usar suas próprias expressões emocionais para obter coisas que deseja, chorando ou sorrindo quando necessita. Esse controle das emoções baseia-se, ao menos em parte, em seu entendimento das ligações entre seu comportamento e a percepção dos outros sobre seu próprio comportamento.

A regulação emocional é a base de todo o repertório de habilidades sociais de uma criança.

A capacidade de regular emoções durante os anos pré-escolares é fortemente preditiva de uma ampla variedade de habilidades sociais no futuro. Por exemplo, o autocontrole na primeira infância está relacionado à capacidade da criança de obedecer a regras morais e pensar sobre o certo e errado durante os anos escolares. Além disso, as crianças pequenas que têm a habilidade de controlar emoções negativas, como a raiva, têm menos probabilidade de exibir problemas de comportamento durante os anos escolares.

Como adquirir controle emocional e evitar choro e birra

O processo de adquirir controle emocional é um processo no qual o controle passa lentamente dos pais para a criança. Claro que o temperamento (predisposição genética a ser receptiva a mudanças ou não, a ser responsiva aos estímulos ambientais) é um fator.

A maioria dos pais sabe que não é razoável esperar que crianças pequenas aguarde por longos períodos de tempo, então eles fornecem mecanismos de controle externos tais como lembra-los de proibições e repetir pedidos. Durante as idades de 3 a 6 anos, as crianças gradualmente internalizam esses padrões e essas expectativas parentais e assumem mais a tarefa de controle para si mesmas. Por exemplo, se você fosse observar pais e filhos em uma sala de espera de médico, veria que os pais de crianças entediadas frequentemente direcionam e redirecionam o comportamento delas, podendo pegá-las no colo e ler alguma historinha para ela.

Em contraste, você perceberia que crianças mais velhas procuram coisas para fazer sozinhas. Por isso, o controle físico é mais potente para controlar bebês, através do redirecionamento do comportamento para um estímulo distrator e, o controle verbal é mais adequado para crianças mais velhas, tendo em vista maior maturidade emocional.

Importância dos pais para autorregulação emocional dos filhos

Além do comportamento dos pais, as formas como eles expressam suas próprias emoções está relacionada à capacidade de seus filhos de regular as emoções. Geralmente, pais muito expressivos de suas emoções negativas tendem a ter filhos que controlam mal seus sentimentos negativos. Mas, em contrapartida, é interessante o achado na literatura que a expressividade emocional positiva nos pais não prediz autorregulação emocional dos filhos tão consistentemente quanto expressividade emocional negativa.

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Enfim, é essencial que o pais sejam facilitadores das expressões emocionais de seus filhos e que estes possam ajuda-los a compreender o significado de cada emoção e respeitar as emoções, mesmo que negativas, de seus filhos. Verbalizações do tipo: “Não precisa se sentir assim…” “Está errado você se sentir assim…” tendem a ensinar a criança a racionalizar as emoções e desconectá-las do seu sentido autêntico. Se seu filho sente medos “irracionais” o caminho é o diálogo socrático, investigando as possibilidades daquela crença da criança acontecer. Seja paciente e dê o exemplo, muitas vezes é preciso que os pais revejam suas habilidades sócio emocionais para que possam servir de exemplo e referência para a criança.

Fonte: A criança em desenvolvimento. Autores: Helen Bee e Denise Boyd.

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